Vai ver que ouvi falar de Meditação Transcendental ainda antes dos Beatles, nos anos 60. Só que não sabia direito o que fosse. Na Ioga eu já estava há muito e serei a ela eternamente grata. Do seu relaxamento dinâmico eu já escrevera nesta mesma coluna, pois de quase tudo que experimento, escrevo, se acho que é de interesse ou pode fazer bem a alguém. Tentei ser “Rosa Cruz”, experimentei “Subbud” (um doce para quem souber o que é). Usei homeopatia, acupuntura, alimentação macrobiótica.
Ainda nos teens me apaixonei pelo “meu sistema” de um sueco chamado Muller e assim que teve um filho nos braços adotei-o “como criei meu filho Pedro” de autoria do mesmo sueco. Um regime intensivo de cama dura sem travesseiro, muito ar, sol, água fria, ginástica, naturismo, que lhe fez muito bem, e o incompatibilizou pelo resto da existência com “coisas que fazem bem”. É a vida. E para agüentá-la , como convém freqüentei fazendas de saúde, nadei e remei léguas, cai de cavalo, tentei musculação, ski, usei incomodíssimas sandálias ortopédicas dinamarquesas com os dedos mais altos do que o calcanhar. Minha curiosidade por este mundo em que habito vai acabar quando eu acabar . Se não durar depois disso, com mais vastos horizontes. Voltemos a MT. Dezembro último, em Londres, cidade que me inspira muita confiança, mais tudo que nela se contém , dei na revista do “Sunday Times” com um artigo do jornalista John Harding meditando, numa fotografia a cores, e trocando em miúdos a experiência. Vibrei! Pois a estória começava assim: “Era sábado. Um lindo dia, o sol brilhando, pássaros cantando. E eu flutuava sobre Eaton Square, meus pés mal tocando o chão.” E chegara a isso, já nos últimos estágios de sua MT simplesmente sentando-se numa cadeira e fazendo pouco mais que nada.
Eu faria mil coisas mais difíceis do que sentar numa cadeira e meditar, já não digo para flutuar sobre Eaton Square, mas caminhar com meus pobres pés sobre ela. Nunca consegui tirar Londres do meu sistema. Levitar como o jornalista Inglês não seria coisa que me entusiasmasse, antes me inspira um certo receio, mas dormir e acordar melhor todos os dias, estar 70% menos sujeita a resfriados, alergias, dores de cabeça, diminuir o estresse que é a moléstia do século, já são alvos a serem atingidos. Na América, as companhias de seguro taxam 30% menos aos meditadores. Que também passam 70% menos dias em hospitais e tem 87% menos de incidência de moléstias cardíacas e tumores cancerosos. Fora, na maioria, um constatado rejuvenescimento, melhores resultados no estudo e no trabalho, enorme resistência à fadiga.
Qual de nós não se candidataria a esses resultados conseguidos com apenas seis aulas de iniciação e dois períodos diários de meditação de 20 minutos? Eu me candidatei, já de volta a Portugal, onde acabei descobrindo um Centro de Iniciação. Não é religião, nem incompatível com elas, nem filosofia, simplesmente uma técnica de relax, que vem do tempo dos Vedas, velha de 5 mil anos.
Assisti às aulas, deram-me um “mantra”, que não pode ser escrito nem transmitido a ninguém (a iniciação é pessoal), responderam-me a todas as perguntas de não iniciado. O resto fui procurar em dois livros de apaixonante leitura. “Técnica de M.T., um guia para céticos”, o Inglês Peter Russell, da Dina livros de Lisboa e “MT., descoberta da energia interior e domínio da tensão”, dos americanos Harold Bloomfield, Michael Peter Cain, Dennis T. Jaffe, que para mim, pelo menos, esgotaram o assunto, aliás apaixonante. Na Inglaterra, 600 médicos da National Health escreveram ao governo pedindo urgência para que a MT seja posta à disposição da população, além dos 130 mil que já a praticam lá. Já há 3 milhões de meditadores no mundo inteiro. Que a esta altura estão aumentados em mais um. Esta humilde escriba, muito feliz com sua experiência de apenas dois meses.
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Fonte : Jornal O Globo