Em todo o mundo eles somam mais de quatro milhões de adeptos
São os meditantes, que seguem a técnica de Meditação Transcendental introduzida no Brasil pelo monge indiano Mararishi Mahesh Yogi.
Submetida a verificação científica em Universidades americanas como Harvard, a Meditação Transcendental conta com a aprovação de profissionais da área médica nos Estados Unidos e também no Brasil.
Há Cientista que dizem que se trata de um excelente método alternativo para tratamento de hipertensos arteriais. E há aquele que desconfia dessa eficiência.
Durante 20 minutos, uma vez pela manhã e outra pela à noite, os meditantes entram no chamado “estado de repouso em alerta”, que leva a uma queda de 40 por cento no consumo de oxigênio, à diminuição dos batimentos cardíacos e dos ácidos lácticos, associados ao estado de estresse e ao aumento da hemoglobina, segundo estudos do Dr.Robert K. Wallace, PHD pela Universidade da Califórnia.
Para Klebér Mattos Tani professor de Meditação Transcendental do Rio de Janeiro, os estudos sobre o método nos EUA têm fortalecido a credibilidade da prática. A academia é a sede da Sociedade Internacional de Meditação (as demais funcionam em São Paulo, Brasília e Goiânia). Tani estima em 12 mil o número de Meditantes no Rio.

Adeptos comparam o método ao sono
Klebér Matos Tani explica que a meditação transcendental não exige esforço por parte do praticante.
Cada pessoa pensa em seu mantra (cântico) próprio. Isto diminui a atividade mental e conduz a um repouso consciente, diferente do sono . É o que chamamos de quarto estado de consciência. Vinte minutos de meditação correspondem a oito horas de sono – compara o professor.
Formada em Educação Física, a professora de meditação Patrícia Junqueira, 28 anos, assinala que a MT promove um descanso profundo e pode prevenir doenças psicossomáticas geradas pelo estresse. Ela observa que os Meditantes costumam tornar-se mais calmos e bem dispostos. Muitos, segundo ela, deixam de fumar sem perceber porque não sentem mais necessidade.
A atriz Julia Lemmertz conhece bem o efeito um por cento. Ela conta que diversas vezes já o utilizou para fazer a filha, Luiza, de 3 anos, dormir, e pretende incentivá-la a aprender MT.
Não é raro, segundo ela, estar meditando no quarto e alguém na sala acaba caindo no sono.
Mesmo gerando controvérsia, a meditação é adotada em universidades Americanas como forma de aumentar o rendimento do aluno, tornou-se cadeira eletiva na Academia Militar das Agulhas Negras chegando até o Morro da Rocinha. O primeiro curso, iniciado na semana passada, conta com 350 inscritos, inclusive crianças a partir de 5 anos de idade. O objetivo do projeto, financiado pela Sociedade Internacional de Meditação, é reduzir o índice de criminalidade e de tensão na favela.
Efeito desencadeador da técnica
Meditante entusiasmado, o aposentado João Dias da Silva, 77 anos, utiliza a técnica de respiração aprendidas na MT para controlar a arritmia cardíaca.

João Dias da Silva com sua esposa Adelaide: controle da arritimia cardíaca
Antes de se dedicar regularmente a meditação, junto com a mulher Adelaide Guerand, 75 anos, ele lembra que foi internado três vezes em UTI.
Continuo tomando remédios, mais nunca mais precisei de internação. Sinto-me mais disposto. Caminho todos os dias na praia – diz João.
Quando uma pessoa medita, o efeito é disseminado entre outras 99. É o efeito um por cento, descoberto pelo professor de física da Universidade de Cambridge Brian Josephson. Muitos meditantes comprovam essa tese na prática. A psiquiatra Vera Antoun, de 35 anos, revela que os filhos Clarisse, de 8 anos, e Gabriel de 5 anos, ficam mais calmos após sua sessão de meditação.
Hoje eles raramente me atrapalham, não me interrompem mais e sinto que o ambiente fica muito mais harmonioso.
Fonte : Jornal O Globo – Jornal da Família – Outubro de 1991