Revista Amiga – setembro de 1990


(Trecho da reportagem completa publicada na Revista Amiga – edição de 7 de setembro de 1990)

Mas quero contar a coisa mais importante que aconteceu pra mim esse ano: aprendi meditação transcendental. Agora sou uma meditante. Aprendi com o professor Klebér Tani e a mulher dele, Cristiane. Foram sete dias de um curso de meditação transcendental. Rolou numa época em que estava acontecendo um clima de insatisfação geral na emissora, com operações tartaruga, greves dos funcionários que estavam ganhando nove mil por mês, enfim, um baixo astral, uma agitação, um ebó, minha filha mal despachado (risos), que se refletia também em Mico Preto, trazendo tensão geral nos estúdios e eu tinha medo de ir pra lá. De manhã, então tinha idéia de viajar, ir para Montevidéu ou atrás do Jean Louis, na Bélgica, e ele me aconselhava a segurar, mas me deu vontade de pirar, sabe? Foi quando a Julia Lemmertz me sugeriu fazer meditação transcendental. E sempre quis fazer, só que não sabia e, aí, ficava sozinha, inventando. Não dá certo. Fiz o curso, aprendi e agora não tem santo que me tire do meu eixo. Faço meia hora de manhã, meia hora á tarde e estou muito bem. Isso foi um tesouro na minha vida. A meditação transcendental te faz descer e entrar em contato com a tua fonte de pensamentos, ou o teu “eu” interior, ou a tua essência, ou sei lá como você chama; faz você mergulhar pra dentro de você. Porque a gente é voltado pra vida de fora, totalmente; principalmente numa sociedade capitalista como a nossa. Só não sabemos, ainda, que a vida de dentro é muito mais rica do que a de fora.

- Claro, por que diz respeito à sua base até para que possa, inclusive, viver essa vida externa.

- Exato: é a base. Por que ficamos num pique… compra vestido, compra disco, namora, vai para a televisão, grava, faz entrevista, fotografa, vive a vida de fora e fica excitado, e, finalmente es-tres-sa-do. E por que todo mundo é estressado? Porque vivemos quase no ano dois mil e dormimos apenas oito horas. A gente dorme igual, enquanto o mundo está cada vez mais acelerado, mais rápido. Então para acompanhar, estamos sempre estressados. E a meditação transcendental faz você repousar sete vezes mais do que o sono; faz você fechar os olhos e olhar para dentro, o que te fortalece e te integra. Como estou fazendo análise, está sendo um complemento fantástico; estou muito mais integrada comigo mesma e muito mais auto-apoiada. Então esse meu lado destrambelhado, criança, inseguro – sou insegura – está mais pé no chão; estou mais feliz. Aconselho mesmo quanto mais gente fizer meditação transcendental, mais o mundo ficará melhor. Levei a Maria Padilha pra lá também e agora meditamos as duas na TV Globo. E, quando medito, faço meu personagem muito melhor.

- O mais importante nisso tudo é que a gente aprende a não se envolver com as baixarias que sempre nos rondam nos dias atuais, né?

- Taí; você falou a coisa certa; é não se envolver tanto com a baixaria. Se você tem a ver com ela, você se envolve; mas se não, não. Eu não tenho nada a ver; não estou em crise lá dentro da Globo. Ficava nervosa por causa do nervoso dos outros, mas agora estou ótima e vou levar a Renata Sorrah, a Débora Evelyn e quanto mais pessoas se interessarem. Vale a pena.

Revista Amiga – 7 de setembro de 1990

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