| Multinacionais
usam força da ginástica contra o estresse
(Sonia Pedrosa)
As
empresas multinacionais estão buscando novas alternativas para
melhorar a qualidade de vida de seus funcionários e, conseqüentemente,
aumentar o nível de produtividade. A Shell por exemplo, investe
no Brasil US$ 4,1 milhões por ano, em programas de treinamento
com esse objetivo. Outra grande empresa, a IBM do Brasil, uma das
que mais oferecem vantagens aos empregados, aposta na diversificação
de atividades extraprofissionais - sociais, culturais e esportivas
- dirigidas aos funcionários.
O uso de atividades, consideradas alternativas no Brasil, no combate
ao estresse dos empregados e no aumento da produtividade, já
é comum em algumas empresas no exterior, principalmente no
Japão. Não é à toa que a prática
chega agora, ao Brasil, através das empresas multinacionais.
O projeto encomendado pela Shell ao professor de Meditação
Transcendental Klebér Tani, prevê a administração
de um curso de 3 ou 4 dias, em um hotel em Angra dos Reis ou Teresópolis,
aos gerentes e pessoas com poder decisório dentro da empresa.
O novo projeto custou a Shell, para planejamento e aplicação,
cerca de US$ 15 mil.
" As organizações estão percebendo que o
nível do estresse está crescendo e que isso leva ao
afastamento do trabalho ou a redução da produtividade",
diz Accioly Lopes, gerente de treinamento e desenvolvimento gerencial
da Shell. Seguindo ele, não há como medir o prejuízo
econômico e financeiro que isso acarreta, mais já se
pode notar os seus efeitos.
MEDITAÇÃO
TRANSCENDENTAL NA SHELL
O
número de prestadores de serviço voltado para os funcionários
das empresas vem crescendo, segundo Clovis Cosenzo, da IBM. Na onda
desse aumento, o professor de meditação transcendental
Klebér Tani resolveu montar uma pequena empresa para vender
seus serviços para outras empresas, como foi o caso da Shell.
Esta empresa faria projetos de cursos para os funcionários
e complementaria o trabalho com a aplicação do curso.
Para dar início a esse trabalho voltado para empresas, ele
conta com a ajuda de um consultor empresarial, Antônio Collet,
que durante os cursos dá palestra aos executivos, adaptando
à linguagem deles as teorias da meditação transcendental.
Além deles, dá palestra um nutrólogo, que fala
sobre a importância da alimentação para evitar
doenças, e uma professora de ioga coordena exercícios
de postura.
Para adaptar o curso à dinâmica da Shell, ele adotará
outro nome para o seu método, tirando o termo meditação
transcendental, "Se chegasse numa empresa e falasse de Meditação
transcendental, daria um susto nas pessoas", justifica Collet.
Segundo ele, o nome dessa técnica de exercícios mentais
que acalmam o sistema nervoso nasceu entre os anos 60 e 70, com o
Guru dos Beatles, MAHARISHI. "Naquela época, havia um
apelo em relação à Índia e a busca pelo
transcendental", conta.
O curso da Shell, de duração de até quatro dias,
levará o nome de Técnica de Introspeção
com processo decisório e criativo, segundo Klebér, "mais
conveniente em termos empresariais".
Os exercícios aprendidos no decorrer do curso poderão
ser aplicados mais tarde, pelos alunos, para combater o cansaço
mental e o nervosismo.
"É como escovar os dentes", garante Klebér.
Ele se propõe, no entanto, a dar três meses depois do
curso, com aulas semanais.
O objetivo maior dos exercícios segundo o professor, é
fazer com que os executivos usem um percentual maior de sua capacidade
intelectual.
"Mais tarde, ele poderá fazer seu exercício confortavelmente
em sua cadeira, no escritório, por 15 minutos, e sairá
revitalizado para enfrentar o batente e com o corpo mais repousado,
o que é fundamental para um bom desempenho profissional",
explica Klebér.
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Fonte
: Negócios e finanças - Dezembro de 1990
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